Dia 2 #EstágioTranscultural

Como o evangelho pode transformar a feiura do Rio e de Fortaleza?

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Beach Park – Fortaleza

Por volta das cinco e meia da tarde o Sol já começa a se por. E antes das seis da manhã ele levanta. Estamos em Fortaleza, um dos lugares do Nordeste mais procurados por turistas. Aqui fica o maior parque aquático da América Latina, o Beach Park, onde a entrada custa cerca de 200 reais por pessoa. Na orla da cidade: prédios grandes, luxuosos e caríssimos. Ainda não foi possível conhecer os pontos turísticos, pois estamos aqui apenas de passagem. Além disso, o tempo e o “dindin” são curtos. No sábado à tarde, Davi nos levou para tomar um sorvete, pra tentar aliviar o calor. “Vamos na terceira melhor sorveteria do país. A primeira é Cairu, em Belém do Pará”, disse ele. Entramos no carro e saímos. Chegando perto da orla, já víamos prédios altos e chiques. “Aqui estão alguns dos metros quadrados mais caros do Brasil”, Davi comentava. O que me remeteu à minha conversa com Max, no Rio, no dia que passamos por lá. Ele precisou levar um documento na Tijuca e convidou pra eu ir com ele. Na volta, passamos por um caminho de onde avistamos Leblon e Ipanema, “os dois bairros com o metro quadrado mais caro do Brasil”, destacou Max. No Leblon, o metro quadrado custa mais de 23 mil reais, e em Ipanema cerca de 20 mil (Fonte: G1). Sim, são lugares lindos. Igual como aparece nas imagens aéreas da novela global das nove. Mas antes de passar por esses lugares, meus olhos se depararam com outras paisagens: muros sujos e pichados, muitas pessoas em situação de rua, casas e prédios destruídos e abandonados, casinhas amontoadas nas encostas de morros e barrancos.

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No Leblon, o metro quadrado custa mais 23 mil reais

“O Rio de Janeiro continua lindo…”, ressoava o trecho da música na minha cabeça. Então eu me perguntava: O que há de lindo, mesmo, no Rio? “Deve ser as gentes”, respondia a mim mesmo. Em Fortaleza, a sensação foi a mesma: de um lado, as paisagens lindas, da TV, dos sites de agências turísticas, e de outro, a pobreza, a violência, a sujeira, a feiura da cidade. Este segundo aspecto me incomoda, me provoca, porque é uma realidade maior que aquela que costumamos exaltar, apreciar. É uma realidade que, num primeiro momento, não é agradável de se ver. Mas não são só prédios e construções sujas, pichadas e abandonadas. Ali tem gente bonita. Gente com uma história de vida, com alegrias, com medos, com fome, com necessidades, com sonhos… Tem gente que trabalha, que chora, que canta, que sorrir, que dança, que ama… “O QUE O MEU CRISTIANISMO TEM A FALAR PRA ESSA REALIDADE? COMO O EVANGELHO É UMA BOA NOVA PARA ESSA GENTE? COMO O EVANGELHO PODE TRANSFORMAR ESSA REALIDADE?”, eu me questionava, enquanto passava de carro, tanto no Rio quanto em Fortaleza. Eu fiquei pensando e refletindo sobre isso até ontem à noite, domingo, quando li no devocionário “Um Ano com Jesus”, de Eugene Peterson: “A mesma palavra de ordem que penetrou o caos e trouxe à existência o céu e a terra chegou à corrupção do túmulo e manifestou uma vida de ressurreição”. Em seu comentário, Peterson faz referência ao episódio em que Jesus demora/espera antes de ir à casa de Marta, Maria para ver Lázaro, seu amigo que havia morrido há quatro dias. Ao ler o comentário de Peterson, pensei: “A palavra de Jesus penetra a realidade da morte e chama a vida! Jesus vai ao encontro do caos e traz vida”. Que maravilha! Era a resposta para meus questionamentos. Sim, a presença e a palavra de Jesus podem trazer vida a uma realidade tão dura, feia e caótica. É interessante que Jesus estava na casa de Marta e Maria porque o haviam chamado. E quando ele vai ressuscitar Lázaro, ele conta com a ajuda de algumas pessoas para remover as pedras e tirar os panos que envolviam o corpo. Jesus trabalha em equipe! E ele convida a gente para participar disso. Ele quer sim gerar vida onde há caos e morte. Precisamos trabalhar com Ele. “Chamá-lo” e ir com ele para esses lugares. Ajudar a remover as pedras e tirar os panos que impedem as pessoas de descobrir e desfrutar a nova vida que Jesus quer dar. E sim, o Evangelho tem muito a dizer ao nosso mundo caótico e tem poder para transformar a feiura da nossa realidade. Se essa “feiura” não incomoda nossos olhos, há alguma errada com o nosso cristianismo!
Ah, e o sorvete do começo dessa história? Não chegamos nem a entrar na terceira melhor sorveteria do país. Sentimos que não estávamos vestidos adequadamente paro o ambiente tão chique. Depois pensei: quanta bobeira! Mas tomamos um sorvete mais barato na beira da Praia do Futuro, a mais popular de Fortaleza.

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