Teve choque cultural sim!

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Estamos em nosso décimo sétimo dia na Vila do Torto, no Delta do Parnaíba. Já levamos muitas picadas de carapanã, tomamos banho no rio, comemos ostra, caranguejo, peixe, siri, andamos no quadriciclo e descobrimos que não estamos no Piauí. Isso mesmo! A vila do Torto fica no território do Maranhão e não do Piauí. Mas isso não muda muita coisa.

Passadas duas semanas, podemos dizer que já estamos nos adaptando ao local. E quem diria que nós, um amazonense e uma baiana (aculturada no Amazonas), sofreríamos o tão famoso choque cultural, dito pelos missionários. Pois sim, sofremos. E não foi nada fácil! Principalmente quando os carapanãs vinham como nuvem pra cima de nós… dava vontade de sair correndo, gritando, no campo que fica no meio da vila. Mas bastava a gente dar um passo para lembrar da areia e já ficávamos cansados. Foi tenso!

Agora, a amizade com as pessoas da comunidade, as atividades com os irmãos da igreja, e o vento gostoso que bate aqui têm tornado essa jornada mais tranquila. E, claro, a misericórdia e graça de Deus para conosco, que nos sustenta e nos faz levantar a cada manhã com a certeza de que Ele preparou este tempo para nós aqui.

Estamos sendo confrontados e ensinados. A realidade e a prática estão nos fazendo aprofundar nossas concepções de vocação, missão, serviço, amor. Essa experiência também está servindo para reafirmar mais uma vez que missão tem pouco a ver com programas e eventos, mas é, sobretudo, relacionamento. E quando baseamos a missão em programas e eventos o resultado é uma relação superficial com as pessoas. Mas quando focamos em relacionamentos e investimos tempo em ouvir e conhecer o outro, a proclamação e demonstração do evangelho podem fluir com mais facilidade. Por isso, é um grande equívoco querer ou esperar resultados rápidos. É preciso desenvolver uma visão de trabalho de longo prazo.

elis-post#CunhantãViçosa
Apesar de estar com o corpo todo marcado das picadas dos carapanãs, nossa cunhantã está amando o lugar e principalmente as outras crianças. Percebemos que ela está bem esperta e interagindo muito. Desde que saímos de Viçosa, ela desenvolveu muito o andar, mas a parte da fala deu uma estagnada. Parece que isso é normal. Já fomos duas vezes mergulhar no rio, que fica bem perto de casa. No primeiro dia ela chorou muito, mas no segundo ela já ficou de boa – a companhia da amiguinha Manoela também ajudou. Agradeça a Deus pela resistência, boa saúde e fácil adaptação da Elis. Ore para que Ele a conserve assim e que o restante de tempo que ainda temos por aqui sejam de muita diversão pra ela.

A música do vaqueiro
Durante esta semana, estamos tendo a oportunidade de ajudar diariamente nas atividades do projeto Meu Peixinho, que oferece reforço escolar para as crianças da comunidade. Na terça-feira, aconteceu uma situação muito engraçada. Após cantarmos várias canções, um menino de 5 anos de idade, disse:

  • Professor, eu gosto de cantar aquela música do vaqueiro.
  • Do vaqueiro? Essa eu não conheço -, respondi. E continuei: Como é?

Com um volume de voz mais alto possível o garoto abriu a boca e soltou a voz:

  • Como vaqueiro eu quero subir o mais alto que eu puder. Só pra ter ver e olhar para ti…

Nem precisou terminar a música e todos já estavam rachando de rir porque o menino trocou “Zaqueu” por “vaqueiro”.

criancas-postA convivência com essas crianças tem sido muito legal, mas também nos nos fez perceber um lado triste da realidade. Algumas, que parecem ter mais de cinco anos, não sabem dizer a idade que têm. Outras, que já deveriam saber ler e escrever, mal rascunham poucas letras. Que tipo de futuro essas crianças terão? Quais oportunidades poderão pleitear? É triste concluir que algumas seguirão a trilha dos pais, que não conseguiram concluir os estudos e precisam trabalhar duro e pesado para sobreviver. Precisamos orar por essas crianças e pelas missionárias Neide, Andréia e Marili, que trabalham neste projeto, para que Deus as ajude a construir um futuro diferente e melhor para esses pequeninos.

sancho-postDas coisas boas da caminhada
Não parece, mas ele tem apenas treze anos. Ele conhece a maré, sabe quando ela está para peixe e quando não está. Quando o assunto é rio, maré, pescaria e outras coisas da natureza, ele é muito sabido e esperto. Já me ensinou a pegar a siri e a tirar ostra. Também me ensinou a pilotar o quadriciclo. Sempre disposto a ajudar e a ensinar o que sabe. Ele tem sido um grande parceiro e amigo aqui na vila. Até já conquistou a Elis e ganha facilmente muitos beijinhos na bochecha. Vai ao batismo final deste mês. Agradeça a Deus pela vida do Luís Felipe, o Sancho, e ore por ele; para que Deus se mostre a ele cada vez mais e o guie pelo caminho preparado para ele.

Servindo

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Encontro com casais

Além de ajudar nas atividades do projeto Meu Peixinho, já fizemos um encontro com os jovens (na 2ª feira), com casais (na 3ª feira), culto de oração em outra vila, Morro do Meio (na 4ª feira), culto de oração aqui no Torto (dias de 5ª feira) e também estudos bíblicos com dois irmãos que estão sendo treinados pelo pastor Glauber para ajudar nos trabalhos da igreja. Esta semana tem sido bem cheia de atividades, por conta da ausência do pastor, que precisou viajar para um módulo do curso de mestrado que ele faz no seminário Palavra da Vida, em Belém (PA). Então ele deixou algumas atividades sob nossa responsabilidade. Luíze também tem buscado se envolver em alguma atividades, mas Elis “consome” bastante tempo e energia. Aos sábados ela está participando de um encontro com mulheres, que se reúnem para fazer artesanato. Tem sido um prazer servir aos irmãos!

Estamos sem notebook
Semana passada tivemos um problema com nosso notebook. Ele levou uma queda forte e não ligou mais. Um irmão da igreja levou pra cidade para tentar consertar. Segundo o rapaz da assistência técnica, o problema foi no HD. O conserto ficaria no valor de 430 reais – 350 para colocar um novo HD e 80 para formatar e instalar o sistema operacional e programas básicos. Optamos por deixar o notebook assim mesmo e levar para Viçosa, para tentar recuperar alguns arquivos. Portanto, estamos sem computador e fazer as postagens aqui no blog vai ficar mais difícil. Ore para que consigamos recuperar os arquivos e consertar o computador. É uma ferramenta muito útil!

Retaguarda
Temos um grupo de irmãos, amigos e familiares que tem nos apoiado em oração e com palavras de incentivo. Somos muito gratos a Deus pela vida de cada um de vocês. Com essas pessoas temos compartilhado quase que diariamente informações e motivos de oração, em grupo que criamos no whatsapp. Se você quiser ser adicionado a este grupo, será muito bem-vindo. Basta nos contatar pelo zap no número (92) 9 9379-7787. Vamos em frente!

VEJA NOSSO ÁLBUM DE FOTOS ESTÁGIO TRANSCULTURAL

P.S.: Aos poucos os carapanãs estão diminuindo, mas ainda tem um bocado e não tem pra onde correr. “Se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come”.

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2 comentários sobre “Teve choque cultural sim!

  1. Phelipe, estamos muito felizes por saber de sua adaptação e progresso no estágio na Vila do Torto. É bom saber que o Senhor tem vos dado a graça, a coragem e a visão para continuar nessa obra que, apesar das dificuldades, é gratificante pelo que podemos fazer pelas pessoas.
    Vibramos ao ver a foto da Elis, essa pequenininha que nos conquistou durante o Congresso da ALEF aqui em Natal. Continuamos em oração para que durante todo o período que o Senhor determinar para vocês aí, desfrutem da paz, de saúde e da direção que o Espírito Santo concede. Deus vos abençoe a cada dia.
    Um abraço bem forte, de uma família que vos ama em Cristo.
    Marcos e Rose Mendes

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