Quando o inferno toma conta do paraíso

2017-punkEntão 2017 começou e, não só eu, mas acho que muita gente está “se esforçando” para acreditar e fazer dele um ano melhor. Mas aí vem a primeira “bomba” do ano: uma chacina, na noite de Reveillón, num bairro de classe média de Campinas (SP), onde o cara mata a ex-companheira, o filho de 8 anos e mais 10 pessoas; depois se mata. Que tristeza!

Aí vem outra mais “punk” ainda, agora bem debaixo do nosso nariz: rebelião no sistema prisional de Manaus. De acordo com o G1 Amazonas, foram 56 mortos. Vi fotos e vídeos e fiquei chocado! É desumano! É cruel! É inaceitável!

Aonde vamos parar? Tá difícil acreditar que o ser humano pode ser melhor. Então eu lembro do documentário “Sal da Terra”, que assisti há alguns dias e que mostra a vida e a obra do renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. Após vários anos retratando a guerra, a fome e a destruição humana em países da África e alguns outros lugares, Sebastião volta para sua casa, na França naquela época, sem acreditar em nada. Nem em Deus, nem na humanidade, nem em qualquer outra coisa.

Sebastião viu muita beleza em suas lentes, mas também viu muita, muita miséria e destruição. Por isso ele diz que “somos um animal feroz, somos violentos, em qualquer lugar”. Foi ele também que citou a frase que emprestei ao título deste artigo: “Quando o inferno toma conta do paraíso”. Na verdade, somos nós que tornamos o paraíso em inferno.

Inquieto… Sem sono… Na cabeça um monte de perguntas difíceis, para as quais não servem as repostas prontas do senso comum. Fico pensando: São mães que perderam filhos. Esposas que perderam maridos. Meninas e meninos que perderam seus pais, e que, cedo ou tarde, chorarão ao ouvir que seus pais foram decapitados ou esquartejados. E, por favor, não vamos justificar essa atrocidade pelos crimes antes cometidos por aqueles que ontem foram mortos. Isso é outra conversa!

Continuo perplexo e chocado com chacina de Campinas e as mortes na rebelião do presídio em Manaus. Não há respostas fáceis. 2017 começa escancarando a pobreza e a podridão da humanidade; jogando na nossa cara a nossa infeliz capacidade de tornar o paraíso em inferno. Então eu oro e peço: “Senhor, tem misericórdia da gente. Tem misericórdia dos que estão enjaulados, virando bicho. Alivia a dor dos familiares enlutados. E nos cura do nosso desespero. Amém!”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s