Pra não dizer que eu não falei das coisas boas feitas por evangélicos

cristolandia-fantastico

Hoje eu não quero falar mal dos evangélicos nem daqueles que se dizem ser – já tem muita gente de plantão para fazer isso; uns são pagos para tal e outros o fazem por não ter com que se ocupar. Quero falar das coisas boas feitas pelos evangélicos. Coisas que muitos não têm coragem de fazer e em lugares que muitos não têm a coragem de ir. Antes, é preciso dizer que “evangélico” é apenas um rótulo como qualquer outro. Mas aqui vou usar este rótulo para me referir a pessoas que acreditam em Jesus Cristo de Nazaré como o filho de Deus; o Deus que virou gente; que viveu, sofreu, morreu e ressuscitou por amor à humanidade. A essas pessoas, que creem, recebem esta verdade e decidem caminhar nela, chamamos de cristãos; evangélico por causa do legado, direto ou indireto, da Reforma Protestante.

A Cracolândia de São Paulo ganhou destaque nos meios de comunicação nas últimas semanas. Mais precisamente após o dia 21 de maio, quando foi realizada uma operação militar comandada pelo prefeito Dória e pelo governo do Estado com o objetivo de “acabar com a cracolândia”. Teve gente que apoiou e gente que condenou, mas entre os elogios e as críticas e a complexidade do problema estão os vários projetos desenvolvidos no local para ajudar os dependentes químicos a terem uma chance de largar as drogas e mudar de vida. Entre tais projetos, muitos são de iniciativas de igrejas evangélicas, como a Cristolândia, que é de responsabilidade da Junta de Missões da Convenção Batista Brasileira.

Em 2014 eu andei pelas ruas da “cracolândia” e fiquei impactado ao ver a destruição que as drogas podem causar na vida de uma pessoa. Assistir pela TV é uma coisa, ver pessoalmente é totalmente diferente, é terrível! Em meio ao caos, havia o projeto Cristolândia e nele brotava esperança, através da vida de pessoas que estavam ali gastando tempo, recurso, dinheiro, habilidade, horas de sonos, para tentar ajudar os dependentes químicos. Um projeto feito por homens e mulheres de fé, alguns que, inclusive, abandonaram as drogas com a ajuda do projeto e agora estão ali para ajudar outros. É gente que acredita que Deus pode mudar histórias. E Ele está agindo ali, transformando histórias e usando a vida de evangélicos. Não é à toa que os coordenadores da Cristolândia têm sido convidados pelo governo para reproduzir o projeto em outras capitais do país.

A Cristolândia é apenas uma entre várias boas iniciativas desenvolvidos por evangélicos em muitos lugares do país. Muita gente não sabe, mas existem dezenas de igrejas sérias e organizações cristãs íntegras desenvolvendo projetos de educação, saúde e desenvolvimento comunitário integral em rincões do sertão nordestino e comunidades ribeirinhas e indígenas longínquas. Em muitos destes lugares não há presença de outras ONG’s e lá não chegam os serviços de assistência básica que o Estado deveria oferecer, ou quando chegam são de forma muito precária. Sem falar nas ‘favelas’ comandadas por traficantes, onde polícia nenhuma entra, mas há cristãos com livre acesso que estão lá para compartilhar de Jesus de forma muito concreta por meio de projetos de alfabetização de crianças, jovens e adultos, ações de fomento à cultura e à arte, etc. Mas quase nunca você verá essas notícias nos grandes canais de comunicação.

Você também possivelmente não verá notícias do trabalho de missionários evangélicos que dedicaram anos e anos de suas vidas para criar a gramática e organizar a grafia de línguas indígenas, fazendo, assim, com que a língua e a cultura daquele povo não morressem com o tempo. A mídia possivelmente também não mostrará o esforço de missionários evangélicos que lutam na justiça contra antropólogos, indigenistas e sociólogos, para acabar com o infanticídio – uma prática comum entre algumas etnias, onde os bebês com deficiência, gêmeos ou filhos fruto de adultério, são mortos logo que nascem.

Onde muitos não querem ir, tem gente que está indo. O que muitos não querem fazer, tem gente fazendo. Essas pessoas não recebem grandes salários para isso, na verdade, a maioria nem salário tem. Vivem de doações de gente que acredita que o trabalho deles vale a pena. Não aparecem na mídia, nem precisam disso. Tudo o que precisam vem do Deus que acreditam. E é a fé neste Deus que os move a fazer o que fazem e a ir aonde vão, mesmo que sejam rotulados e incluídos no grupo de evangélicos do tipo que nada tem a ver com a genuína fé evangélica – isso por causa da ignorância ou da má fé de seus críticos de plantão. A estes, vale dizer que podem continuar falando mal dos evangélicos, mas lembrem-se que nem tudo é joio. No meio dos evangélicos há trigo! Há muita coisa boa sendo feita, vidas e comunidades sendo transformadas pelo poder do Evangelho que age através destas pessoas, mas isso nem sempre ou quase nunca a gente vai ver por aí noticiado na telinha da Globo. Isso não é agro, não é tech, nem é pop, mas é tudo!

Phelipe M. Reis
Viçosa, 04/06/17.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s