Para quem quer aprender a orar como gente

Livros não são apenas livros. Cada um possui uma história. Na verdade, pelo menos duas histórias: a do autor e a que leitor constrói. Claro, por si só, a leitura de uma obra pode ser uma experiência transformadora, mas a história é diferente quando se tem a oportunidade de conhecer o autor além das páginas e conviver com quem as escreveu.

A minha história com Súplicas de Um Necessitado começou bem antes de folheá-lo. Sem conhecer pessoalmente o autor, o pastor Elben César, seus textos da revista Ultimato eram os últimos que eu lia. Os textos de ética, política, sociedade e outros sobre assuntos atuais e polêmicos me interessavam logo de cara. Já os artigos do Reve, quase sempre abordando a importância da oração, centrado nas Escrituras Sagradas, em parágrafos recheados de versículos bíblicos, geralmente em duas ou mais versões, me pareciam monótonos, confesso.

Em março de 2015, durante a primeira semana de estudos no Centro Evangélico de Missões (CEM), fui surpreendido ao me ver de frente com um senhorzinho de cabelos brancos, vestindo bermuda, camisa branca de botão e calçando chinelos de couro. Era o pastor Elben César, e a sua aula, claro, sobre um dos assuntos que mais gostava de falar e escrever: práticas devocionais. E como parte das atividades avaliativas, tive que ler Práticas Devocionais e Súplicas de Um Necessitado.

Observar a vida do pastor Elben, ouvir suas palavras e ler seus escritos foi uma experiência que me fez conseguir perceber uma riqueza e uma profundidade que eu ainda não tinha conseguido assimilar antes. Sem entrar nos arraiais da filosofia nem da sociologia, suas pautas eram pura e simplesmente: Bíblia e oração. Súplicas de Um Necessitado se debruça sobre a última, porém, carregada de referências à primeira.

Isso mesmo. É um livro sobre oração. E o que teria nele de especial ou diferente de tantos outros sobre o mesmo assunto? Primeiro, não se trata de um livro teórico com explanações teológicas e apologéticas; nem é um livreto pragmático com sete passos para ensinar a fazer uma oração mais poderosa. Não é um livro para aumentar a erudição ou alimentar o intelecto do leitor, é para nutrir a alma.

Segundo, a linguagem e o estilo exigem uma leitura diferenciada. Faz bem ter a Bíblia ao lado para consultar os inúmeros versículos bíblicos, não citados literalmente no texto, mas que estão misturados com as palavras do autor nas orações. Aviso: embora dê vontade de devorar todos os capítulos de uma só vez, de tão envolvente que é a leitura, dispense a pressa. O leitor precisará de calma e sossego para fazer pausas e esperar cada palavra decantar silenciosamente no solo do coração, fazendo, assim, uma leitura devocional.

Por fim, Súplicas de Um Necessitado é um livro para todo mundo. E ele o é assim por causa da maneira como o autor inicia cada oração: clamando por misericórdia e admitindo, reconhecendo e confessando sua humanidade pecaminosa. As orações cabem perfeitamente na boca de todo aquele que se sabe pecador, incrédulo, descrente, indeciso, desequilibrado, inconstante, escravo do pecado, egocêntrico, doente, vulnerável, soberbo, ganancioso, impuro, lascivo… Enfim, todos que reconhecem seus pecados de estimação e aqueles que não reconhecem também, pois como aconteceu comigo, estes poderão ser surpreendidos por pecados, antes camuflados, agora revelados com tanta sinceridade nas palavras do pastor Elben César.

Há livros que você lê uma única vez, se dá por satisfeito e se despede dele, para sempre. Súplicas de Um Necessitado não é esse tipo de livro. Lembra que iniciei essa conversa falando sobre histórias? Pois é… Súplicas é um convite para uma história que não termina na última página, até porque se trata de um convite para a aprendizagem – uma aprendizagem contínua, que nos provocará o desejo de retornar às suas páginas muitas outras vezes, após a primeira leitura. Um retorno para desaprender a orar como robô, mecânica e religiosamente, e continuar aprendendo a orar com honestidade e franqueza, como gente. Assim como o faz o pastor Elben:

“Ó Deus, tem misericórdia de mim, pois sou pecador e soberbo. […] Não me deixes esquecer de minha origem humilde, de minhas fraquezas, de minhas limitações, de minha ignorância e de minha herança pecaminosa. Não me deixes esquecer que sou homem e não Deus, que eu sou pecador e não santo, que eu sou mortal e não eterno. Não me deixes esquecer que sou pó, que sou vaso de barro, que sou erva, que sou como um sono. Não me deixes esquecer que eu sou o barro e tu és o oleiro, que eu sou o ramo e tu és a videira, que eu sou o discípulo e tu és o mestre.”

Nota: Texto publicado originalmente no Portal Ultimato.

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